O cambiamos, o morimos. Leonardo Boff

Tierra del Fuego

Tierra del Fuego (Photo credit: brent_buford)

O Cambiamos o Morimos: Leonardo Boff

Tomado de ADITAL: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=ES&cod=78300

Adital

“Hoy vivimos una crisis de los fundamentos de nuestra convivencia personal, nacional y mundial. Si miramos la Tierra como un todo, percibimos que casi nada funciona de manera satisfactoria”. La opinión es del teólogo y profesor Leonardo Boff, que escribió recientemente un artículo para el sitio web del Instituto Ethos.

Según Boff, la Tierra está enferma. “Y como nosotros somos, en tanto humanos, también Tierra (hombre viene de humus = tierra fértil), nos sentimos todos, en cierta forma, también enfermos. La percepción que tenemos es que no podemos continuar por este camino, pues nos llevará a un abismo. Fuimos tan insensatos en las últimas generaciones que construimos el principio de la autodestrucción. No es fantasía holywoodiana”, observó.

De acuerdo con él, la humanidad está en condiciones de destruir varias veces la biosfera e imposibilitar el proyecto planetario humano. “Esta vez no habrá una arca de Noé que salve a algunos y deje perecer a los demás. Los destinos de la Tierra y de la humanidad coinciden: o nos salvamos juntos o sucumbimos juntos”, resaltó Boff.

“En primer lugar, tiene que entenderse el eje estructurador de nuestras sociedades hoy mundializadas, principal responsable del curso peligroso. Es el tipo de economía que inventamos. La economía es fundamental, pues ella es responsable de la producción y reproducción de nuestra vida. El tipo de economía vigente se monta sobre el intercambio competitivo. Todo en la sociedad y en la economía se concentra en el intercambio. El intercambio aquí es calificado, es competitivo. Sólo el más fuerte triunfa. Los demás, o se agregan como socios subalternos o desaparecen. El resultado de esta lógica de la competencia de todos con todos es doble: por un lado una acumulación fantástica de beneficios en pocos grupos, y por el otro, una exclusión fantástica de la mayoría de las personas, de los grupos y de las naciones”.

Para Boff, actualmente el gran delito de la humanidad es el de la exclusión social. “Por todas partes reina el hambre crónico, aumento de las enfermedades antes erradicadas, depredación de los recursos limitados de la naturaleza y un ambiente general de violencia, de opresión y de guerra”.

Individualismo x Cooperación

Uno de los puntos mencionados por el teólogo en el artículo es que la gran mayoría de los países y de las personas no cabe más bajo su techo. “Ahora este tipo de economía del intercambio competitivo se muestra altamente destructivo, donde quiera que penetre y se imponga. Nos puede llevar al destino de los dinosaurios”, comparó Boff.

Al defender la idea de que “o cambiamos, o morimos”, Boff sugiere como alternativa una nueva racionalidad, mediante el principio de cooperación (cita el libro de Mauricio Abdalla sobre el tema). “Si no hacemos esta conversión, preparémonos para lo peor. Urge comenzar con las revoluciones moleculares. Comencemos por nosotros mismos, siendo seres cooperativos, solidarios, compasivos, simplemente humanos. Con esto definimos la dirección correcta. En ella hay esperanza y vida para nosotros y para la Tierra”, concluye Boff.

Traducción: Daniel Barrantes – barrantes.daniel@gmail.com

 

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(El artículo completo, en portugués, para el Instituto Ethos)

Ou mudamos ou morremos

Onde buscar o princípio articulador de outra sociabilidade, de novo sonho para frente?

(*) Leonardo Boff

Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial. Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. A Terra está doente e muito doente. E como somos, enquanto humanos também Terra (homem vem de humus=terra fértil), nos sentimos todos, de certa forma, doentes. A percepção que temos é de que não podemos continuar nesse caminho, pois nos levará a um abismo. Fomos tão insensatos nas últimas gerações que construímos o princípio de auto-destruição. Não é fantasia holywoodiana. Temos condições de destruir várias vezes a biosfera e impossibilitar o projeto planetário humano. Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve a alguns e deixa perecer os demais. Os destinos da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos.

Agora viramos todos filósofos, pois, nos perguntamos entre estarrecidos e perplexos: como chegamos a isso?

Como vamos sair desse impasse global? Que colaboração posso dar como pessoa individual?

Em primeiro lugar, há de se entender o eixo estruturador de nossas sociedades hoje mundializadas, principal responsável por esse curso perigoso. É o tipo de economia que inventamos. A economia é fundamental, pois, ela é responsável pela produção e reprodução de nossa vida. O tipo de economia vigente se monta sobre a troca competitiva. Tudo na sociedade e na economia se concentra na troca. A troca aqui é qualificada, é competitiva. Só o mais forte triunfa. Os outros ou se agregam como sócios subalternos ou desaparecem. O resultado desta lógica da competição de todos com todos é duplo: de um lado uma acumulação fantástica de benefícios em poucos grupos e de outro, uma exclusão fantástica da maioria das pessoas, dos grupos e das nações.

Atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reina fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra.

Mas reconheçamos: por séculos essa troca competitiva abrigava a todos, bem ou mal, sob seu teto. Sua lógica agilizou todas as forças produtivas e criou mil facilidades para a existência humana. Mas hoje, as virtualidades deste tipo de economia estão se esgotando. A grande maioria dos países e das pessoas não cabem mais sob seu teto. São excluídos ou sócios menores e subalternos, como é o caso do Brasil.

Agora esse tipo de economia da troca competitiva se mostra altamente destrutiva, onde quer que ela penetre e se imponha. Ela nos pode levar ao destino dos dinossauros.

Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa. Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. Que ela nos ensina? Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui. Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e vírus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.

Aqui se encontra a saída para um novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos. Ao invés de troca competitiva onde só um ganha devemos fortalecer a troca complementar e cooperativa, onde todos ganham. Importa assumir, com absoluta seriedade, o princípio do prêmio de economia John Nesh, cuja mente brilhante foi celebrada por um não menos brilhante filme: o princípio ganha-ganha, onde todos saem beneficiados sem haver perdedores.

Para conviver humanamente inventamos a economia, a política, a cultura, a ética e a religião. Mas nos últimos séculos o fizemos sob a inspiração da competição que gera o individualismo. Esse tempo acabou. Agora temos que inaugurar a inspiração da cooperação que gera a comunidade e a participação de todos em tudo o que interessa a todos.

Tais teses e pensamentos se encontram detalhados nesse brilhante livro de Maurício Abdalla, O princípio da cooperação. Em busca de uma nova racionalidade.

Se não fizermos essa conversão, preparemo-nos para o pior. Urge começar com as revoluções moleculares. Começemos por nós mesmos, sendo seres cooperativos, solidários, com-passivos, simplesmente humanos. Com isso definimos a direção certa. Nela há esperança e vida para nós e para a Terra.

(*) Leonardo Boff, teólogo e professor, é autor de mais de 60 livros sobre teologia, filosofia, espiritualidade, antropologia e mística

16/10/2013

One Response

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