Pope Francis and the shedding of pagan papal customs

Leonardo Boff

The innovations in the customs and speeches of Pope Francis have led to an acute crisis in the conservative groups that strictly followed the directives of the two previous Popes. They find it especially intolerable that the Pope received in private audience one of the pioneers of the “condemned ” Theology of Liberation, Peruvian Gustavo Gutierrez. They are stunned by the Pope’s sincerity in recognizing the Church’s errors, and his own, and in denouncing the careerism of many prelates, calling “leprosy”  the courtesan and flattering spirit of many in power, who are known as “vaticancentrists”. What really scandalizes them is the inversion he makes, by putting in first place love, mercy, tenderness, dialogue with modernity and tolerance towards people, including the divorced and the homo-affective, and only in last place, ecclesiastic doctrines and discipline.

The voices are already being heard of the most radical,  who, referencing Pope Francis, offer petitions…

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SEMANA REFORMISTA. Salvador Flores LLamas

Español: Fuente de Petróleos Mexicanos, en Pas...

Español: Fuente de Petróleos Mexicanos, en Paseo de la Reforma y Anillo Periférico, Col. Lomas de Chapultepec, delegación Miguel Hidalgo de la Ciudad de México, D.F., México. (Photo credit: Wikipedia)

A c e n t o

 

Semana reformista

                                     SALVADOR  FLORES LLAMAS

 

Esta semana habrá mayor fiebre reformadora en las cámaras legislativas: la reforma hacendaria deberá quedar aprobada el jueves 31 de octubre con el paquete fiscal; vendrán luego la política y energética y debates encendidos.

 

El Pacto por México da sin duda resultados, entre trompicones y tropiezos: animó la adormecida vida legislativa y la hizo productiva con acuerdos, que las reyertas partidistas habían desterrado.

 

Por la hacendaria se rompió en la Cámara de diputados la alianza PANPRD, pues éste apoyó al PRI a cambio de tres favores presupuestales al gobierno del DF, que la línea bejaranista rechazó en el Senado y anunció se aliaría al PAN para obstruccionar esa reforma.

 

Allí las posturas priísta y panista van con sendos solgans: el PRI insiste en que la hacendaria crea el seguro de desempleo y la pensión universal para los mayores; el PAN la culpa de dañar la economía, producción y empleo y ahondar la desigualdad entre los mexicanos.  

 

Por desgracia este maremágnum reformista se da mientras la corrupción y falta de transparencia en el manejo del erario están a tope; lo que refuerza la oposición a pagar los impuestos, que siempre van p’arriba.

 

Si la ley anticorrupción que prometió Peña Nieto, la hubiera aprobado el Congreso previa a la avalancha impositiva, no habría tanta oposición a ésta; pero siempre hay quienes se quejen y vean en todo gravamen, por táctica, algo deplorable y anuncien que retirarán del país sus inversiones.

 

Y lo realizan, con el consiguiente perjuicio para la economía, que demanda más capital de trabajo para abrir más fuentes de empleo, elevar el nivel de vida de los mexicanos y aliviar la enorme desigualdad que priva. Esto no se hace con demagogia ni promesas incumplidas, sino con medidas efectivas.

 

Por desgracia, los mexicanos vemos a políticos, jueces, policías y grandes negociantes paladear el dinero y el poder, a costa del pueblo, y darse la mano.

 

El reclamo de que se pare tal desfachatez crece; pero sin encontrar eco: el mexicano común se esfuerza por dar la mejor vida a los suyos, cada quien a su nivel, frente a esa casta que no frena su ostentación y aprovecha puestos y coyunturas para amasar más fortuna, y a la gente que se la lleve el diablo.

 

Los legisladores aprueban impuestos, al cabo ellos no los pagan, y no van a evitarlo. Pero hay que hacerlo, no sólo porque en cada campaña política se promete transparencia y combate a la corrupción, sino porque ya no debe apretarse tanto la correa en el cuello de los sufridos contribuyentes, que al fin y al cabo son los mismos.

 

La reforma hacendaria, por caso, lejos de fomentar rescatar negocios de la informalidad, la alienta, y cada día la practican más mexicanos, por falta de oportunidades o para no pagar al fisco.  

 

El gobierno publicita mucho sus esfuerzos por atraer inversiones foráneas; y salta la pregunta: ¿tendrán deseos de invertir extranjeros que ven en el DF o en muchos estados –por desgracia, cada vez más- los bloqueos, atropellos y delitos de la CNTE y la impunidad con que se les cobija?

 

Bueno sería que el nuevo aire que trajo el Pacto por México no lo frustre la lenidad o desacierto del gobierno en aplicar las leyes que se aprueban, sino que se consoliden como un paso constructivo en la vida del país.

 

Para que tanto esfuerzo no quede en una reformitis aguda, pero infecunda.   

 

 

Duas forças em tensão: a auto- afirmação e a integração. Leonardo Boff

Português: Integração. Escultura de Bruno Gior...

Português: Integração. Escultura de Bruno Giorgi no Memorial da América Latina, em São Paulo, Brasil. (Photo credit: Wikipedia)

Duas forças em tensão: a auto-afirmação e a integração

27/10/2013

Biologicamente nós humanos, somos seres carentes (Mangelwesen). Não somos dotados de nenhum órgão especializado que nos garanta a sobrevivência ou nos defenda de riscos, como ocorre com os animais. Alguns biólogos chegam a dizer que somos “um animal doente”, um “faux pas”, (um passo em falso), uma “passagem” (Übergang) para outra coisa, por isso nunca fixado, inteiros mas  incompletos.

Tal verificação nos obriga a continuamente a garantir a nossa vida, mediante o trabalho e a inteligente intervenção na natureza. Deste esforço, nasce a cultura que organiza de forma mais estável as condições  infra-estruturais e também humano-espirituais para vivermos humanamente em sociedade.

Acresce ainda outro dado, presente também em todos os seres do universo, mas que no nível humano ganha especial relevância. Vigoram duas forças: a primeira é  auto-afirmação, a segunda, a integração. Elas atuam sempre em conjunto num equilíbrio difícil e sempre dinâmico.

Pela força da auto-afirmação cada ser se centra em si mesmo e seu instinto é conservar-se, defendendo-se contra todo tipo de ameaça contra sua integridade e a sua vida. Ninguém aceita morrer. Quer viver, evoluir e se expandir. Essa força explica a persistência e a subsistência do indivíduo.

Precisamos neste ponto superar totalmente o darwinismo social segundo o qual somente os mais fortes e adaptáveis triunfam e permanecem. Essa é uma meia verdade que está na contramão do processo evolucionário. Este não privilegia os mais fortes e adaptáveis. Se assim fora, os dinossauros estariam ainda entre nós. O sentido da evolução é permitir que todos os seres, também os mais vulneráveis, expressem virtualidades latentes dentro da evolução. Esse é  o valor da interdependência de todos com todos e da solidariedade cósmica. Todos, fracos e fortes, se entreajudam para coexistir e coevoluir.

Pela segunda força, a da da integração, o indivíduo se descobre envolto numa rede de relações, sem as quais,  sozinho como indivíduo, não viveria nem sobreviveria. Existe o individuo mas ele vem de uma família, se insere num grupo de trabalho, mora numa cidade e habita um país com um tipo de organização social. Ele está ligado a toda esta cadeia de relações. Assim todos os seres são interconectados e vivem uns pelos outros, com os outros e para os outros. O indivíduo se integra, pois, por natureza, num todo maior. Mesmo que o indivíduo morra, o todo garante que a espécie continue permitindo que outros representantes venham a nos suceder.

Sabedoria humana é reconhecer o fato de que chega certo momento na vida no qual  a pessoa deve se despedir para deixar o lugar, até fisicamente,  a outros que virão.

O universo, os reinos, os gêneros e as espécies e também os indivíduos humanos se equilibram entre estas duas forças: a da auto-afirmação do indivíduo e a da integração num todo maior. Mas esse processo não é linear e sereno. Ele é tenso e dinâmico. O equilíbrio das forças nunca é um dado, mas um feito a ser alcançado a todo o momento.

É aqui que entra o cuidado responsável. Se não cuidarmos ou pode prevalecer a auto-afirmação do indivíduo à custa de uma insuficiente integração e então predomina a violência e a autoimposição ou, ao contrário, pode triunfar a integração a preço do enfraquecimento e até anulação do indivíduo e então ganha a partida o coletivismo e o achatamento das individualidades. O cuidado aqui se traduz na justa medida e na autocontenção para não privilegiar nenhuma destas forças.

Efetivamente, na história social humana, surgiram sistemas que ora privilegiam o eu, o individuo, seu desempenho, sua capacidade de competição e a propriedade privada como é o caso da ordem capitalista ou ora  prevalece o nós,  o coletivo, a cooperação e a propriedade social como é o caso do socialismo real que foi ensaiado na União Soviética e ainda persiste, em parte, na China.

A exacerbação de uma destas forças em detrimento da outra, leva a desequilíbrios, conflitos, guerras e tragédias sociais e ambientais. Com referência ao meio ambiente tanto o capitalismo quanto o socialismo foram depredadores e pioraram as condições de vida da maioria das populações. Em ambos os sistemas o cuidado responsável desapareceu para dar lugar à vontade de poder, ao enfrentamento entre ambos e até a brutalidade nas relações mundias visando a corrida armamentista e a dominação do curso do mundo.

Qual é o desafio que se dirige ao ser humano? É o cuidado reponsável de buscar o equilíbrio construído conscientemente e fazer desta busca um propósito, uma atitude de base e até um projeto político. Portador de consciência e de liberdade, o ser humano possui esta missão que o distingue dos demais seres. Só ele pode ser um ser ético, um ser que cuida de si e que se responsabiliza pela comunidade de vida. Ele pode ser hostil à vida, colocar-se, como indivíduo dominador, sobre as coisas. Mas pode ser também o anjo bom que se sente integrado na comunidade de vida, junto com as coisas. Depende de seu empenho manter o equilíbrio entre a auto-afirmação e a integração num todo e não permitir que forças dilaceradoras dirijam a história.

Por ser ético, coloca-se ao lado daqueles que tem dificuldades em se auto-afirmar e assim sobreviver e impedir uma integração que destrói as individualidades em nome de um coletivo  amorfo. Eis uma síntese sempre a ser construida.

Leonardo Boff escreveu: O despertar da águia: o sim-bólico e o dia-bólico na construção do real, Vozes 2010.

ANÁLISIS A FONDO. J. Francisco Gómez Maza. DÉBILES SEÑALES DE VIDA

Español: Edificio del Banco de México, centro ...

Español: Edificio del Banco de México, centro histórico. (Photo credit: Wikipedia)

Dom 27-10-13

Francisco Gómez Maza
Análisis a Fondo: Débiles señales de vida 
 
 
·         La “mejoría”, ¿señal de agravamiento?
 
·         Los engañosos porcentajes de la eco 
 
 
La gran economía lleva ya cuatro meses dando débiles señales de vida, por la respiración boca a boca que le han estado dando las actividades que la ciencia económica denomina terciarias; es decir, las que se encargan de distribuir los bienes producidos por las primarias y las secundarias (subsuelo, campo, transformación, manufacturas), así como de prestar servicios como el el comercio interior.
El Informe Semanal del Vocero (reporte de la Secretaría de Hacienda) ofreció ayer datos económicos que aunque no pueden ser tomados como señales de que los mexicanos van por el camino de la recuperación, indican que el enfermo aún respira. y si sigue vivo se mantiene una luz de esperanza. Así sucede cuando un ser humano se debate entre la vida y la muerte en el área de terapia intensiva de cualquier centro hospitalario.
De acuerdo con el informe del vocero recibido este domingo, la actividad mensual reportó su cuarto “crecimiento” mensual consecutivo. En agosto pasado, el llamado IGAE (Indicador Global de la Actividad Económica) creció 0.22 por ciento real y en términos anuales aumentó 0.8.
Y aunque el comercio y los servicios de alguna manera insuflaron aliento a la actividad económica, por lo que se ve en los indicadores esa ayudita fue de panzazo, pues el mercado interno sigue dando traspiés y los servicios reportaron resultados mixtos: Las ventas al menudeo y al mayoreo tuvieron una variación de (-) 1.4 por ciento y (-) 1.87 real mensual en agosto, luego de “crecer” en los tres meses previos. Con datos originales, las ventas al menudeo se contrajeron 7.1 real anual en agosto.
En servicios, el Índice Agregado de los Ingresos obtenidos por la prestación de los Servicios Privados no Financieros reportó un incremento de 2.8 anual y una contracción de 0.75 mensual, luego de registrar cuatro incrementos mensuales consecutivos, mientras que el personal ocupado en estos servicios registró una variación anual de 0.5 y mensual de (-) 0.65, después de crecer 1.5 anual y 0.23 mensual en julio. Como ve, porcentajes pichicateros.
Lógicamente, si el mercado continúa contraído, no hay mucho margen para que se descontrole la inflación, porque la demanda aún no puede reponerse; no hay liquidez en los mercados, los salarios no alcanzan más que para comprar lo estrictamente indispensable, y en millones de casos ni para ello.
Así, en la primera mitad de octubre, la inflación quincenal fue de 0.4 por ciento y se ubicó en su menor nivel desde la primera quincena de enero. Y vaya que fue impulsada por el incremento de los precios de los energéticos y tarifas autorizadas por el gobierno, que mostraron una alza de 2.67 por ciento, debido a que concluyó el subsidio de la tarida de verano de la electricidad en quince ciudades. Bien en su rango la inflación: 3.27 por ciento, pero lo preocupante es que es un comportamiento forzado: mercado deprimido principalmente.
Los precios del petróleo siguen los vaivenes del mercado internacional, a veces bajan, a veces repuntan; la balanza comercial (el saldo del intercambio con los mercados del exterior: exportaciones vs importaciones) como repunta, cae; los gurúes del Banco de México de repente relajan ligeramente la política monetaria, aprovechándose de que la inflación sigue como ellos la quieren: amarradita.. Obviamente que en esas condiciones las reservas internacionales del banco central alcanzan a cada boletín de prensa, “máximos históricos”, y las tasas de interés no sólo se mantienen bajas, sino que siguen contrayéndose, atadas al comportamiento de los papeles de la tesorería (Cetes)- Ojalá se contrayeran las del crédito al consumo. El dinero plástico.
Y como indiciador clave, el mercado de valores sigue volando, aunque en esta semana con cierre positivo, de seis décimas porcentuales. Del peso ya ni hablamos y menos del llamado riesgo país, porque se nos acabó el papel.


Francisco Gómez Maza

Datos adjuntos

O cambiamos, o morimos. Leonardo Boff

Tierra del Fuego

Tierra del Fuego (Photo credit: brent_buford)

O Cambiamos o Morimos: Leonardo Boff

Tomado de ADITAL: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=ES&cod=78300

Adital

“Hoy vivimos una crisis de los fundamentos de nuestra convivencia personal, nacional y mundial. Si miramos la Tierra como un todo, percibimos que casi nada funciona de manera satisfactoria”. La opinión es del teólogo y profesor Leonardo Boff, que escribió recientemente un artículo para el sitio web del Instituto Ethos.

Según Boff, la Tierra está enferma. “Y como nosotros somos, en tanto humanos, también Tierra (hombre viene de humus = tierra fértil), nos sentimos todos, en cierta forma, también enfermos. La percepción que tenemos es que no podemos continuar por este camino, pues nos llevará a un abismo. Fuimos tan insensatos en las últimas generaciones que construimos el principio de la autodestrucción. No es fantasía holywoodiana”, observó.

De acuerdo con él, la humanidad está en condiciones de destruir varias veces la biosfera e imposibilitar el proyecto planetario humano. “Esta vez no habrá una arca de Noé que salve a algunos y deje perecer a los demás. Los destinos de la Tierra y de la humanidad coinciden: o nos salvamos juntos o sucumbimos juntos”, resaltó Boff.

“En primer lugar, tiene que entenderse el eje estructurador de nuestras sociedades hoy mundializadas, principal responsable del curso peligroso. Es el tipo de economía que inventamos. La economía es fundamental, pues ella es responsable de la producción y reproducción de nuestra vida. El tipo de economía vigente se monta sobre el intercambio competitivo. Todo en la sociedad y en la economía se concentra en el intercambio. El intercambio aquí es calificado, es competitivo. Sólo el más fuerte triunfa. Los demás, o se agregan como socios subalternos o desaparecen. El resultado de esta lógica de la competencia de todos con todos es doble: por un lado una acumulación fantástica de beneficios en pocos grupos, y por el otro, una exclusión fantástica de la mayoría de las personas, de los grupos y de las naciones”.

Para Boff, actualmente el gran delito de la humanidad es el de la exclusión social. “Por todas partes reina el hambre crónico, aumento de las enfermedades antes erradicadas, depredación de los recursos limitados de la naturaleza y un ambiente general de violencia, de opresión y de guerra”.

Individualismo x Cooperación

Uno de los puntos mencionados por el teólogo en el artículo es que la gran mayoría de los países y de las personas no cabe más bajo su techo. “Ahora este tipo de economía del intercambio competitivo se muestra altamente destructivo, donde quiera que penetre y se imponga. Nos puede llevar al destino de los dinosaurios”, comparó Boff.

Al defender la idea de que “o cambiamos, o morimos”, Boff sugiere como alternativa una nueva racionalidad, mediante el principio de cooperación (cita el libro de Mauricio Abdalla sobre el tema). “Si no hacemos esta conversión, preparémonos para lo peor. Urge comenzar con las revoluciones moleculares. Comencemos por nosotros mismos, siendo seres cooperativos, solidarios, compasivos, simplemente humanos. Con esto definimos la dirección correcta. En ella hay esperanza y vida para nosotros y para la Tierra”, concluye Boff.

Traducción: Daniel Barrantes – barrantes.daniel@gmail.com

 

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(El artículo completo, en portugués, para el Instituto Ethos)

Ou mudamos ou morremos

Onde buscar o princípio articulador de outra sociabilidade, de novo sonho para frente?

(*) Leonardo Boff

Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial. Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. A Terra está doente e muito doente. E como somos, enquanto humanos também Terra (homem vem de humus=terra fértil), nos sentimos todos, de certa forma, doentes. A percepção que temos é de que não podemos continuar nesse caminho, pois nos levará a um abismo. Fomos tão insensatos nas últimas gerações que construímos o princípio de auto-destruição. Não é fantasia holywoodiana. Temos condições de destruir várias vezes a biosfera e impossibilitar o projeto planetário humano. Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve a alguns e deixa perecer os demais. Os destinos da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos.

Agora viramos todos filósofos, pois, nos perguntamos entre estarrecidos e perplexos: como chegamos a isso?

Como vamos sair desse impasse global? Que colaboração posso dar como pessoa individual?

Em primeiro lugar, há de se entender o eixo estruturador de nossas sociedades hoje mundializadas, principal responsável por esse curso perigoso. É o tipo de economia que inventamos. A economia é fundamental, pois, ela é responsável pela produção e reprodução de nossa vida. O tipo de economia vigente se monta sobre a troca competitiva. Tudo na sociedade e na economia se concentra na troca. A troca aqui é qualificada, é competitiva. Só o mais forte triunfa. Os outros ou se agregam como sócios subalternos ou desaparecem. O resultado desta lógica da competição de todos com todos é duplo: de um lado uma acumulação fantástica de benefícios em poucos grupos e de outro, uma exclusão fantástica da maioria das pessoas, dos grupos e das nações.

Atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reina fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra.

Mas reconheçamos: por séculos essa troca competitiva abrigava a todos, bem ou mal, sob seu teto. Sua lógica agilizou todas as forças produtivas e criou mil facilidades para a existência humana. Mas hoje, as virtualidades deste tipo de economia estão se esgotando. A grande maioria dos países e das pessoas não cabem mais sob seu teto. São excluídos ou sócios menores e subalternos, como é o caso do Brasil.

Agora esse tipo de economia da troca competitiva se mostra altamente destrutiva, onde quer que ela penetre e se imponha. Ela nos pode levar ao destino dos dinossauros.

Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa. Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. Que ela nos ensina? Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui. Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e vírus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.

Aqui se encontra a saída para um novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos. Ao invés de troca competitiva onde só um ganha devemos fortalecer a troca complementar e cooperativa, onde todos ganham. Importa assumir, com absoluta seriedade, o princípio do prêmio de economia John Nesh, cuja mente brilhante foi celebrada por um não menos brilhante filme: o princípio ganha-ganha, onde todos saem beneficiados sem haver perdedores.

Para conviver humanamente inventamos a economia, a política, a cultura, a ética e a religião. Mas nos últimos séculos o fizemos sob a inspiração da competição que gera o individualismo. Esse tempo acabou. Agora temos que inaugurar a inspiração da cooperação que gera a comunidade e a participação de todos em tudo o que interessa a todos.

Tais teses e pensamentos se encontram detalhados nesse brilhante livro de Maurício Abdalla, O princípio da cooperação. Em busca de uma nova racionalidade.

Se não fizermos essa conversão, preparemo-nos para o pior. Urge começar com as revoluções moleculares. Começemos por nós mesmos, sendo seres cooperativos, solidários, com-passivos, simplesmente humanos. Com isso definimos a direção certa. Nela há esperança e vida para nós e para a Terra.

(*) Leonardo Boff, teólogo e professor, é autor de mais de 60 livros sobre teologia, filosofia, espiritualidade, antropologia e mística

16/10/2013

Há de se cuidar da amizade e do amor

Leonardo Boff

A amizade e o amor constituem as relações maiores e mais realizadores que o ser humano, homem e mulher, pode  experimentar e desfrutar. Mesmo o místico mais ardente só consegue uma fusão com a divindade através do caminho do amor. No dizer de São João da Cruz, trata-se da experiência da “a amada(a alma) no Amado transformada”.
Há vasta literatura sobre estas duas experiências de base. Aqui restringimo-nos ao mínimo. A amizade é aquela relação que nasce de uma ignota afinidade, de uma simpatia de todo inexplicável, de uma proximidade afetuosa para com a outra pessoa. Entre os amigos e amigas se cria uma como que comunidade de destino. A amizade vive do desinteresse, da confiança e da lealdade. A amizade possui raízes tão profundas que, mesmo passados muitos anos, ao reencontrarem-se os amigos e amigas, os tempos se anulam e se reatam os laços e até  se recordam da…

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